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Negócio nada ecumênico entre padre e pastor expõe os tentáculos do Banco Master

Eliane Cantanhede

Estadão

A confusa relação do padre José Carlos Toffoli, agora cônego, com o pastor Fabiano Zettel, empresário, não é exatamente ecumênica, após o padre e seu irmão venderem para o pastor metade da participação de ambos, que totalizava R$ 6,6 milhões, num resort de super luxo. É tudo estranho, intrigante, mas confirma o principal: o poder de alcance de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como num filme de ficção, Vorcaro, empresário e “banqueiro liquidado”, vai tomando a forma de um imenso polvo, com tentáculos por todas as instâncias de poder, seja público ou privado, ateu ou religioso, deixando um rastro de biografias arrasadas, tornozeleiras vergonhosas, instituições arranhadas e dúvidas sobre personagens que deveriam se comportar acima de qualquer suspeita.

O pastor Zettel é cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Já o “padre Carlão” é irmão do ministro do STF Dias Toffoli e do engenheiro Eugênio Toffoli, seu sócio, oficialmente, em resorts de super luxo que não condizem em nada com o desapego de padres e cônegos nem com a residência de classe média do engenheiro.

Talvez por isso, a frase mais simbólica da confusão e da estranheza venha da própria mulher e Eugênio, Cássia, para o Estadão: “Sócio de resort? Olha a minha casa!”. Uma casa com rachaduras no piso e mofo nas paredes logo na entrada, mas usada como endereço da empresa bilionária dos dois irmãos, que tiveram participação não apenas em um, mas em dois resorts espetaculares.

Em geral, PF, Coaf e MP seguem “sinais exteriores de riqueza” para investigar alvos de alguma mutreta. Neste caso, dá-se o oposto: o irmão padre e o irmão engenheiro têm de explicar seus sinais exteriores de pobreza – pelo menos para quem teria grana suficiente para ser dono dos tais resorts.

Assim, fica parecendo, para nós, meros mortais, que o verdadeiro dono da empresa e dos hotéis é outro. E quem fica na linha de frente da investigação? O irmão poderoso, das altas rodas de Brasília, ministro Dias Toffoli, que, ora vejam, viaja para a mesma área e justamente quando policiais são enviados para fazer a segurança de “ministro do STF” por lá.

Além de Toffoli, que assumiu a relatoria justamente do caso Master, o maior escândalo financeiro do País, e saiu dificultando as investigações, o Supremo fica numa situação constrangedora também pelas relações familiares do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. Um contrato de advocacia de R$ 130 milhões não é pouca coisa…

Os tentáculos do polvo Vorcaro chegam ao Congresso, onde o deputado Hugo Motta, atual presidente da Câmara, apresentou uma emenda fantástica, obrigando que seguradoras e empresas de previdência privada invistam algo em torno de R$ 9 bilhões em créditos de carbono. O que uma coisa tem a ver com a outra, ninguém sabe. Mas… o empresário Henrique Vorcaro, pai do polvo, mergulhou nesse negócio. Algo a ver?

No TCU, causa estranheza a insistência como o ministro Jhonatan de Jesus, ex-deputado do Centrão, quis inverter o jogo – e as investigações. Seu alvo não era o Master, era o BC. Será que ele pretendia anular a liquidação do banco de Vorcaro? É o que dez entre dez investigadores imaginam.

Em outra dessas “coincidências” da vida, a campanha de “influencers” que receberam fortunas para proteger o Master e acusar o BC vai na mesma linha e no mesmo tom, foco e tempo dos movimentos do ministro Jesus, que também não parecem tão religiosos.

E os tentáculos continuam, com as suspeitas de que o governador Ibaneis Rocha tenha acertado com Vorcaro que o BRB, o banco estatal de Brasília, despejasse bilhões na compra de títulos podres de um banco privado, e de que o empresário Nelson Tanure seja “sócio oculto” do Master. Sem contar a aplicação de quase R$ 1 bilhão do RioPrevidência, o fundo de previdência dos funcionários do Estado do Rio, num banco já bichado. E pode haver casos em outros estados…

“Se tivesse tantas relações poderosas, eu estaria de tornozeleira?”, provocou Vorcaro, tentando livrar-se do formato polvo. A resposta, porém, não ajuda: Se o sr. NÃO tivesse essas relações, provavelmente estaria sem tornozeleira, atrás das grades.

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