O Banco Master se beneficiou de uma negociação fraudulenta ao comprar um precatório de uma usina do Grupo João Santos, que entrou em recuperação judicial, e incorporar o ativo em seu balanço enquanto atuava no mercado financeiro. O dinheiro arrecadado com a venda foi enviado por antigos donos do conglomerado para o exterior em movimentações suspeitas, conforme documentos aos quais o Estadão teve acesso.
O antigo dono do grupo, Fernando Santos, disse à reportagem que o negócio ocorreu nos parâmetros de mercado, levando em conta a situação do processo no momento (leia mais abaixo). A atual gestão afirmou que a decisão foi tomada pela diretoria anterior de forma isolada e que a operação deixou um prejuízo da ordem de R$ 1,8 bilhão na empresa. O dono do Master, Daniel Vorcaro, não se manifestou.
A operação envolve um precatório bilionário do Grupo João Santos, um dos maiores conglomerados do País até o início dos anos 2000, que foi parar no banco de Vorcaro após ser vendido por menos de 20% do valor pelo qual era avaliado. Trata-se de um direito creditório — ou, no jargão financeiro, um “pré-precatório”. É um dinheiro que uma empresa tem para receber da União e cujo processo ainda não tramitou de forma definitiva na Justiça.
O Master comprou esse tipo de crédito enquanto emitia Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) prometendo rentabilidade muito acima do mercado. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado após ser identificada uma série de fraudes em negociações com o Banco de Brasília (BRB). Vorcaro chegou a ser preso e o processo corre no Supremo Tribunal Federal (STF).
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