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O regime do Irã até pode sobreviver, mas o Oriente Médio será transformado; entenda

Por Steven Erlanger (The New York Times)

O líder supremo do Irã pode estar morto, mas haverá um sucessor. Seus comandantes militares abatidos serão substituídos. Um sistema de governo consolidado ao longo de 47 anos não se desintegrará facilmente apenas por meio do poderio aéreo. O Irã ainda retém capacidade para revidar contra os ataques dos EUA e de Israel, e a trajetória desta guerra permanece incerta.

Contudo, a República Islâmica — já enfraquecida e impopular — está agora ainda mais fragilizada. Seu poder interno e regional encontra-se em um de seus patamares mais baixos desde que seus líderes tomaram o poder na revolução que derrubou o xá, apoiado pelos americanos, em 1978-79.

Mesmo que o regime não colapse — o que continua sendo o objetivo declarado do presidente Donald Trump —, este ataque massivo provavelmente terá consequências estratégicas no Oriente Médio comparáveis à queda da União Soviética.

O aiatolá Ali Khamenei, morto na manhã de sábado, 28, mantinha um antagonismo visceral em relação a Israel e aos Estados Unidos, aos quais chamava invariavelmente de “o Grande Satã”. Ele estruturou uma rede regional de milícias subordinadas que cercavam Israel, compartilhavam seu ódio e eram financiadas para desestabilizá-lo. Hezbollah no Líbano, Hamas e Jihad Islâmica na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, os Houthis no Iêmen — todos serviam tanto para fustigar os interesses israelenses quanto para proteger o próprio Irã.

O Irã impulsionou seu programa de mísseis e enriqueceu urânio a níveis próximos de uso bélico, embora sempre negasse a intenção de fabricar uma bomba. Tornou-se uma potência regional tão robusta que líderes sunitas na Arábia Saudita, no Egito e no Golfo buscaram manter laços cordiais com um regime xiita que, simultaneamente, os ameaçava.

O declínio iraniano

O declínio iraniano começou há dois anos, com a resposta rígida e sustentada de Israel à invasão do Hamas a partir de Gaza. O processo acelerou-se quando Israel erodiu as defesas aéreas iranianas, derrotou o Hezbollah e colheu os frutos da revolução síria que derrubou Bashar al-Assad, outro aliado crucial de Teerã.

Agora, com a morte do aiatolá e a destruição massiva vinda do céu, a influência regional do Irã refluiu ainda mais, gerando consequências incertas que irão repercutir ao longo de meses e anos.

“A República Islâmica, como a conhecemos, não sobreviverá a isso”, afirma Sanam Vakil, diretora do Programa de Oriente Médio e Norte da África da Chatham House. “O Oriente Médio nunca mais será o mesmo. Por 47 anos, a região conviveu com um regime hostil e uma força desestabilizadora que tentou, primeiro, isolar e, depois, administrar.”

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