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A nova ameaça ao Brasil que militares veem lançada pelos Estados Unidos

Marcelo Godoy

Assessor de Trump sugeriu a generais de 16 países que não se deve respeitar as leis na guerra ao tráfico de drogas

Diante de Stephen Miller em Doral, na Flórida, havia uma plateia de ministros da Defesa e generais de 16 países da América Latina. O vice-chefe de gabinete do presidente dos EUA defendeu, no início de sua fala de nove minutos, transformar as Forças Armadas da região em caçadores de bandidos e de imigrantes ilegais, degradando militares e submetendo a soberania dos países aos interesses americanos.

Sob a liderança do presidente Trump, estamos usando o poder coercitivo, o poder militar, a força letal para proteger e defender a pátria americana”, confessou. As palavras têm seu peso. Miller é belicoso; na Itália, seria chamado de guerrafondaio e em sua terra, de warmonger. Enfim, é claro que por trás da pregação contra os cartéis e do Escudo das Américas criado por Trump está a competição com a China por mercados e… lucros.

Miller quer fazer crer ao público que compra blusinhas pela internet que agora se canta Ch’i Lai nos morros e comunidades em vez de funk e pagode… Disse Miller: “Assim como combatemos a Al-Qaeda e o ISIS com armas extremamente letais, a razão pela qual esta é uma conferência com líderes militares e não uma conferência de advogados é porque essas organizações só podem ser derrotadas com o poder militar”. E seguiu ainda: “Vejo cabeças assentindo porque – tenham certeza – entendo que vocês estão lidando com muitos advogados em seus próprios países. Vocês têm minha permissão para não escutá-los”.

Miller fez uma pequena pausa e sorriu. Sim. É isso. Um assessor de Trump incitou chefes militares ao desrespeito à lei; quer que eles cometam em seus países crimes que a Justiça dos EUA pune com a cadeia. Miller revela apenas a inclinação de autoritários que pensam que lei e ordem são algo que deve ser imposto aos outros. Eles mesmos não se submetem à legalidade; preferem o uso da força. Nada mais corrupto em uma República do que o arbítrio e a desordem criada por quem deve dar o exemplo.

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